
Tempo de desenterrar alguns fantasmas para que, logo depois, eles se dissipem “na cinza das horas”. É muito impressionante como em determinados momentos da vida, algumas lembranças do passado retornam, se tornam extremamente vivas e, depois de um novo trabalho de elaboração, vão perdendo essa vivacidade e voltam para o limbo da nossa vida, para a opacidade de nossa memória, para a invisibilidade dos nossos olhos.
Ele voltou em tons vermelhos, soltando fogos pelas narinas e esbravejando por um lugar na noite de lua cheia. Ela se embebedou e dialogou com aquele fantasma que a perseguiu por diversas noites. Eles tiveram conversas sobre as coisas antigas, falaram quase tudo o que gostariam de ter dito quando conviviam, fantasiaram uma vida que nunca tiveram, sonharam com as noites possíveis e choraram pela inexorável separação... a ressaca não foi fácil... mas ultrapassadas vertigens, medos e tonturas... a vida, aos poucos, foi ganhando os contornos do cotidiano e o fantasma foi perdendo as bordas, as cores, e se tornou uma imagem translúcida até esmaecer num canto que nunca sabemos onde é... mas que sempre pode retornar.
“As coisas não podem ser destruídas de uma vez para sempre. [...]A idéia de retorno baseia-se no curso da natureza e está de acordo com as exigências do tempo. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo. Por isso, não é necessário precipitá-lo artificialmente. Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido. O estado de repouso dá lugar ao movimento.”
(I Ching, hexagrama 24 - Retorno)
Ele voltou em tons vermelhos, soltando fogos pelas narinas e esbravejando por um lugar na noite de lua cheia. Ela se embebedou e dialogou com aquele fantasma que a perseguiu por diversas noites. Eles tiveram conversas sobre as coisas antigas, falaram quase tudo o que gostariam de ter dito quando conviviam, fantasiaram uma vida que nunca tiveram, sonharam com as noites possíveis e choraram pela inexorável separação... a ressaca não foi fácil... mas ultrapassadas vertigens, medos e tonturas... a vida, aos poucos, foi ganhando os contornos do cotidiano e o fantasma foi perdendo as bordas, as cores, e se tornou uma imagem translúcida até esmaecer num canto que nunca sabemos onde é... mas que sempre pode retornar.
“As coisas não podem ser destruídas de uma vez para sempre. [...]A idéia de retorno baseia-se no curso da natureza e está de acordo com as exigências do tempo. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo. Por isso, não é necessário precipitá-lo artificialmente. Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido. O estado de repouso dá lugar ao movimento.”
(I Ching, hexagrama 24 - Retorno)





